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Em sistema da Fifa, VR3 está registrado como atleta do Palmeiras

A discussão em torno da escalação do zagueiro Victor Ramos pelo Vitória na partida do último sábado, diante do Flamengo de Guanambi, segue ativa. Anunciado e regularizado pela CBF como reforço do Rubro-Negro baiano, emprestado pelo Monterrey-MEX, o atleta está registrado no TMS (Transfer Matching System) da Fifa como jogador do Palmeiras, com contrato ativo com o clube paulista.

VR3 está registrado como atleta do Palmeiras


De acordo com o sistema da CBF, o contrato de empréstimo do zagueiro com o Palmeiras foi encerrado no dia 31 de dezembro de 2015. Após este período, o atleta deveria retornar ao clube de origem, o Monterrey, para que, somente então, a equipe mexicana pudesse efetuar novo empréstimo – no caso, ao Vitória.  

O presidente do Rubro-Negro, Raimundo Viana, reforçou que se tratou de uma negociação nacional e afirmou que não foi necessário utilizar o sistema de transferência internacional da Fifa. Viana caracterizou como irrelevante o registro de Victor Ramos como atleta do Palmeiras no TMS da Fifa.

- Não chegamos a utilizar a TMS. A transferência foi nacional. Não precisamos. Ele não voltou para o México. Por isso se trata de negociação nacional. Irrelevante [Victor Ramos aparecer como jogador ativo do Palmeiras]. Relevante é que toda documentação dele estava no Brasil. Qualquer movimentação dele teria caráter interno – afirmou Raimundo Viana.

Victor Ramos foi apresentado oficialmente pelo Vitória no dia 18 de março, mesmo dia em que seu nome apareceu no BID. A contratação, no entanto, havia sido anunciada um mês antes, no dia 15 de fevereiro. Segundo o Rubro-Negro baiano, a demora na oficialização se deu porque a janela de transferências do México havia fechado, e o Monterrey precisou solicitar uma autorização especial da Fifa para efetuar o novo empréstimo – autorização esta que teria sido concedida, segundo o clube baiano.

Em contato com a equipe de reportagem, o advogado Leonardo Andreotti, especialista em Direito Desportivo Internacional com atuação na Fifa, explicou que o vínculo entre Victor Ramos e o Palmeiras demonstrado no TMS da Fifa pode ser fruto de uma falta de atualização do sistema, porque o Monterrey não solicitou o retorno do atleta durante a janela mexicana.

- O Regulamento de Status e Transferências da Fifa existe para regular transferências internacionais. Se o atleta tem contrato com o Monterrey-MEX e é emprestado ao Palmeiras, quando este vínculo de empréstimo é encerrado o chamado Certificado de Transferências Internacional (ITC) tem que registrar esse retorno do clube paulista para o México. O ITC é a transferência em si, e o TMS (Transfer Matching System) o sistema que oficializa o ITC. Após o término do contrato de empréstimo, o clube dono dos direitos teria que requerer o seu retorno. O jogador fica vinculado ao último clube até que haja um pedido de transferência. No pedido de transferência é que vai ser analisado e registrado se o contrato foi devidamente cumprido, rompido, enfim, como está a situação do último contrato. Diante disso, o Monterrey-MEX deve não ter requerido a transferência, e por isso o jogador continua vinculado ao Palmeiras. Para o jogador aparecer no BID, a CBF viu que ele tinha condição de registro. O clube (Vitória) pode alegar tudo. Para o clube ter conseguido registrar o atleta, ele tem que ter uma justificativa. É uma questão de interpretação que os auditores do TJD-BA provavelmente terão que analisar e julgar. Se fosse um reempréstimo entre clubes do Brasil dentro do período de contrato com a concordância do clube do exterior, a negociação poderia ser considerada nacional por ser uma transação de clubes filiados à mesma associação nacional – afirmou Andreotti .

Fonte: GE