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Auditoria no Vitória aponta gastos indevidos de R$ 200 mil

Uma auditoria realizada no Vitória S/A - empresa que gerenciou o futebol do clube de 2000 a 2009 - referente ao período de janeiro de 2007 a junho de 2009 aponta para a possibilidade de gastos indevidos em montante de cerca de R$ 200 mil, além de R$ 3.660.649,00 de impostos que teriam sido recolhidos de funcionários, mas não repassados ao INSS e à Receita Federal.

Auditoria no Vitória aponta gastos indevidos de R$ 200 mil

O valor em questão poderia ter implicado em acusação de apropriação indébita federal contra o presidente da instituição, que, na época, era Jorge Sampaio. O crime prescreve com cinco anos.

Manoel da Silva Filho - na época responsável pelo auditoria no Rubro-Negro, hoje contador do clube - comentou: "Boa parte da dívida foi solucionada. Parte prescreveu, e parte vem sendo equacionada ao longo dos anos. Agora, acho importante ressaltar que não houve nada escondido, até porque tudo foi feito de uma conta corrente do clube que está ativa até hoje. Acho severa uma acusação de crime de apropriação indébita".

Sem querer entrar em detalhes, Cláudio Figueredo, atual presidente do Vitória S/A - que não interfere mais no futebol do clube -, completou: "Nós refinanciamos esse débito. Fizemos um acordo com a Receita Federal e já pagamos um montante bem elevado".

Despesas incompatíveis

A auditoria afirmou que "existiram R$ 119.596,00 de adiantamentos concedidos sem a devida prestação de contas, além de despesas incompatíveis com as atividades da sociedade Vitória S/A".

Segundo o relatório, entre os adiantamentos estão três em 2008 que teriam sido entregues a Jorge Sampaio. Em 17 de janeiro, no valor de R$ 18 mil. No dia 24, R$ 34.843,62. Já em 20 de abril, R$ 38 mil.

Quanto às despesas incompatíveis, teriam sido gastos R$ 18.595,63 em dezenas de refeições em restaurantes de Salvador, R$ 7.593,36 em supermercados e R$ 4.598,58 em reembolsos diversos. Entre as compras, estavam "absorventes, ração para animais, sapatos, saias, calças e ressarcimentos para taxis".

"Jamais passaria por minha cabeça fazer esses tipos de gastos. Isso não existiu. A minha função era gerir o futebol do Vitória. Qualquer coisa diferente disso, eu não assinava, nem passava por mim. Na época, ouvi falar, não sei se é verdade, que os diretores administrativo-financeiros Carlos Falcão (Vitória) e José Perdiz (Vitória S/A) pediram para que fossem levadas notas fiscais ao clube. Nem sei quais seriam as finalidades dessas notas", afirmou Sampaio.

Perdiz rebateu: "O regime do Vitória S/A sempre foi presidencialista. Eu, como vice-presidente financeiro (2008 a 2009), cumpria ordens mesmo não concordando com algumas delas. As despesas eram feitas e assinadas por Jorge Sampaio. Tanto que foi feita uma auditoria e eu continuo no clube. Faço o controle financeiro do Esporte Clube Vitória desde 2010".

Falcão, que viria a presidir o Vitória entre dezembro de 2013 e março de 2015, emendou: "Essa auditoria foi feita no Vitória S/A, e não no Vitória. É bom separar. Ele (Jorge Sampaio) está equivocado, pois eu nunca participei da gestão do Vitória S/A. E posso garantir que nunca houve nenhum tipo de comportamento assim enquanto eu estava no Vitória. Duvido muito que tenha algum documento assinado por mim".

Gratificações

Em outros trechos, a auditoria informa que teriam sido pagos a Jorge Sampaio gratificações de R$ 25 mil pela conquista de uma vaga na Copa Sul-Americana de 2009 e R$ 30 mil pelo acesso à Série A de 2008. No entanto, o relatório diz que o pagamento referente à promoção teria sido feito em 30 de junho de 2007, sendo que o Vitória só obteve o acesso em novembro daquele ano.

O relatório ainda contesta a legalidade das gratificações: "Os pagamentos  aconteceram ao arrepio do artigo 22 do estatuto social do Vitória S/A, que atribui ao Conselho de Administração competência para distribuir aos administradores participação nos lucros e resultados, nos limites fixados nas assembleias gerais".

Sampaio rebateu: "Essa gratificação pelo acesso à Série A simplesmente não existiu. E foi decidido com Alexi Portela (então presidente do Vitória e do Conselho de Administração do Vitória S/A) a gratificação de R$ 30 mil pelo título baiano de 2008 e mais R$ 30 mil pela vaga na Sul-Americana. Pagamento que nunca foi honrado. Ficaram me devendo".

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