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CBF e Bom Senso travam debate no Congresso

Representantes da CBF e do movimento Bom Senso F.C. travaram nesta quinta-feira mais um debate acirrado sobre os caminhos necessários para a modernização do futebol brasileiro. Em audiência pública de mais de quatro horas de duração na Câmara dos Deputados, em Brasília, as duas partes demonstraram respeito entre si, porém, divergiram fortemente em alguns pontos, principalmente em questões como as contrapartidas exigidas pela MP do Futebol e o calendário do futebol brasileiro.

CBF e Bom Senso travam debate no Congresso

Durante o debate, que contou ainda com a participação de especialistas, parlamentares e do presidente do Flamengo, Eduardo Bandeira de Mello, o ex-jogador Alex, recém-aposentado, levantou duas das principais bandeiras do movimento Bom Senso: a reestruturação do calendário e a participação dos atletas nos conselhos deliberativos.

Alex também defendeu a Medida Provisória 671, assinada pela presidência em março e que tramita no Congresso Nacional. Conhecida como MP do Futebol ou Profut, a medida renegocia as dívidas dos clubes com a União - estimadas em cerca R$ 4 bilhões - em troca de contrapartidas que incluem, entre outras coisas, o rebaixamento de inadimplentes, limitação de mandatos e prestações de contas na internet. Além dos clubes, a medida, como foi assinada, atingiria também federações estaduais e a CBF, o que resultou em uma enxurrada de críticas por parte dos dirigentes, que consideraram o texto intervencionista.

- Sinceramente, não vejo intervenção. O governo mais uma vez está dando as mãos aos clubes para que possam resolver o problema das dívidas. Se a CBF é uma entidade que não precisa esconder nada, somente coloca no regulamento das competições os critérios. Agora, isso é uma discussão política, que demanda tempo, interesses de vários os lados. Olhando como alguém que só quer o bem do futebol, não vejo intervenção do governo. As pessoas apenas querem clarear, colocar em forma de lei, para que não precisemos daqui a 20 dias estar novamente discutindo o problema - afirmou Alex.

Sobre a participação de atletas nos conselhos deliberativos, o antigo camisa 10 destacou o papel dos jogadores na arrecadação gerada pelo futebol e cobrou maior abertura das instituições, principalmente na CBF.

- É preciso que tenhamos democracia nas federações, nos clubes, na CBF. Não vejo como ingerência ter mais democracia em uma entidade como a CBF. A entidade levanta R$ 500 milhões (valor aproximado de arrecadação da em 2014), e os jogadores, que ajudam a arrecadar esse valor, não têm um voto dentro das federações e da própria CBF. Não participam desses conselhos para discutir o futebol... Chegou o momento de as coisas funcionarem de uma maneira diferente - completou o meia.

Pelo lado da CBF, participou do debate o secretário-geral, Walter Feldman. Segundo ele, a nova gestão, iniciada com a posse de Marco Polo Del Nero no dia 16 de abril, concorda com medidas de modernização na entidade máxima do futebol brasileiro e nas federações, como a inclusão de atletas nos conselhos. Porém, defendeu que as mudanças sejam feitas de forma independente e chamou as contrapartidas exigidas na MP de inconstitucionais.

- Temos balizados fundamentos jurídicos e constitucionais que levam a crer que a MP tem rasgos dramáticos de inconstitucionalidade, que não podem ser admitidos. As mudanças não podem vir com medidas intervencionistas. É no debate, na democracia das instituições... O sistema de funcionamento do futebol tem regras e é baseado no código civil. Não pode ser apenas uma vontade de mudar, tem que ter regras. O que não aceitamos é isso vir através de uma lei, fora da independência e da autonomia da organização do futebol. Mas o próprio Marco Polo acha que podemos começar a discutir com os clubes nos arbitrais a participação dos atletas. Ele, pessoalmente, acha que jogadores, árbitros e treinadores poderiam dar suas contribuições. O mundo mudou, a democracia é mais constante e temos que nos adaptar aos novos tempos.

Feldman citou uma série de iniciativas da nova gestão, como a realização do seminário com os técnicos, um encontro entre profissionais da área médica dos clubes e a previsão de um grande congresso para discutir o futebol, ainda sem data marcada. Destacou também a criação de um grupo de trabalho para discutir a relação com os jogadores, a criação de uma área de planejamento estratégico, a contratação de uma consultoria especializada em gestão e a adoção de regras de contabilidade e fluxo de processos.

- São 20 dias de gestão. Em qualquer administração, se espera 100 dias para começar as críticas ferozes e contumazes. A nós, nenhum dia foi dado. Imediatamente começou o processo de crítica feroz... Há um voto de confiança na sociedade democrática e qualquer governante que se estabelece tem tempo para apresentar suas propostas e começar a ter os primeiros resultados. Não se pode dar um voto de confiança com condição. Tem que acreditar em um novo modelo, na administração diferente que estamos dispostos a fazer - afirmou Walter Feldman.

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